acho que de vez em quando eu esqueço de dizer pras pessoas básicas da minha vida o quanto os amo, e o quanto minha vida seria diferente, incompleta, vazia, sem graça sem a existência dessas pessoas.
eu nunca peguei nenhum post pra falar obre os meus irmãos. da importância que eles têm na minha vida, os dois. de como me conheço através deles, de como os conheço tão bem que chega até a irritar. de como eles me conhecem tão bem e conseguem me desmascarar às vezes com apenas um olhar.
a minha irmã é mais velha que eu (não vem ao caso quanto, hehe), e sempre achou que sabia tudo melhor do que eu. síndrome das irmãs mais velhas, acho, mas não me incomoda. o que me incomodava era que ela achava que era minha mãe, e de vez em quando é engraçado ver como ela me fala coisas que nem minha mãe fala. tipo
você não vai comer salada??? engraçado era quando a gente inventava coisas pra fazer só as duas porque não tinha nada de interessante na tv ou pra brincar. quando a gente pegava o cd do ace of base (sim, eu tinha - ou tenho em algum lugar - o cd do ace of base) e fingíamos que nós éramos as duas cantoras que também eram irmãs. ela era a morena, e eu a loira, embora nunca gostasse que me chamassem de loira. também era engraçado quando ela pedia pra eu descer com ela pra beber água, porque tinha medo do escuro e de descer sozinha. mas não se engane, isso só deixou de acontecer quando eu me mudei - ou pouco antes, quando dei pra ela uma moringa de aniversário pra ela não ter mais que enfrentar o corredor escuro, e nem eu ter que sair da cama.
o meu irmão é um dos meus exemplos de homem. ele é sensível, mas sem ser bichinha. ele é engraçado, mas sem ser bonachão. ele tem um senso de justiça inacreditável, que eu admiro muito. ele tem idéias ótimas. ele tem o sorriso lindo, e um olhar muito bonito. ele entrava nas minhas viagens de pancinha, quando dizíamos que a barriga dele inflava tanto, tanto, que ele tinha uns milhares de filhos dentro dela. a gente deu nome pra eles: gildo, astolfo (cala a boca, astolfo! - ele se mexia demais), asdrubal e um monte de outro nome que inventávamos. ele é a pança e eu a testa, e até inventamos uma língua diferente pra nos comunicarmos, que usamos até hoje. até que um dia eu estava muito brava com ele, e assassinei todos os filhos dele. esse dia foi engraçado.
eu não sei o que seria de mim sem os dois. provavelmente uma filha única muito chata (mais ainda), mas, além disso, bem mais infeliz.
